Desportista sofria de tumor no esófago

José Ferreira Garrincha perdeu a vida no Domingo, vítima de doença, na sua residência, depois de cerca de três meses a lutar contra um tumor no esófago, que foi descoberto já no auge da doença. De acordo com o filho do malogrado, Júlio Garrincha, a família procurou a todo custo tratar da doença, mas quando foi diagnosticado, a mesma já tinha consumido maior parte dos órgãos. “Foi descoberto num estado muito avançado e quando queríamos que fosse operado, disseram-nos que não havia como operar”, começou por dizer Júlio Garrincha.

Sem possibilidades de operação, passou-se para o passo seguinte, que consistia num tratamento por quimioterapia, mas a primeira fase deste tratamento não caiu bem ao organismo do antigo árbitro internacional de futebol, segundo disse Júlio Garrincha. “A experiência que a gente fez com a quimioterapia deixou-lhe mais débil e não conseguiu resistir”, assegurou o filho do malogrado.

José Ferreira Garrincha nasceu em Portugal, no Ribatejo, em Santarém, há 73 anos. Veio para Moçambique em 1962, em cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, na Intendência, Área de Logística, em Lourenço Marques. Jogava futebol amador na sua terra natal e continuou a praticar esta modalidade cá no país, representando o Atlético Nacional, fazendo-o também ao nível dos quartéis.

Durante o Governo de Transição José Ferreira Garrincha também transitou para a tropa da FRELIMO. Não pensou em voltar para Portugal porque estava inserido num grupo que o motivou a participar de forma activa no processo de Independência de Moçambique. Era um grupo que, mesmo sendo de militares coloniais, antes mesmo do período de transição já se identificava com os ideais moçambicanos, juntamente com alguns civis, razão pela qual transitaram para a FRELIMO.

Deste grupo alguns assumiram cargos na primeira governação de Moçambique independente, como foram os casos de António Branco, Magid Osman, Boaventura Cossa, entre outros. E Garrincha (devido às suas pernas arqueadas) inclinou-se mais para o futebol, tendo jogado até 1968, mas logo abraçando a arbitragem em razão da lesão que contraiu na perna. Mas foi, de facto, na arbitragem que José Ferreira se tornou uma figura bastante conhecida no contexto futebolístico moçambicano.

As exéquias fúnebres de José Ferreira Garrincha deverá acontecer na tarde de Terça-feira.