O metro de superfície que iria acabar com o drama dos “chapas” nas cidades de Maputo e da Matola, mas que nunca irá circular, custou aos moçambicanos 6,5 milhões de dólares norte-americanos que o Governo pagou como indemnização a empresa italiana SALCEF Costruzioni Edili e Ferroviarie(SALCEF).
“Este é um dos processos mais dinâmicos que jamais liderei na minha carreira na função pública”, disse Paulo Zucula a 21 de Março de 2011, na altura ministro dos Transportes de Comunicações, após a assinatura de um memorando de entendimento, entre Moçambique e a Itália, para a realização de um estudo de viabilidade para a construção de um sistema de metro de superfície ligando os municípios de Maputo e da Matola.
A empresa italiana propunha-se, ao abrigo do acordo, a investir fundos próprios para o início do projecto que iria, segundo os políticos, acabar com o drama dos “chapas” e “my loves” na capital de Moçambique.
Mas o projecto começara a ser discutido em 2010, sem prévio debate público nem concurso, conforme exige a lei das Parcerias Público-Privadas (PPP), quando a SALCEF fora convidada pelo ministro Zucula, durante um visita que este realizou ao País da Europa, acabou por ser cancelado Governo de Armando Guebuza, alegando que o modelo de financiamento proposto pela SALCEF era incompatível com os interesses dos municípios de Maputo e da Matola.
Na sequência do cancelamento do projecto a empresa italiana, achando-se prejudicada, processou o Estado moçambicano através de um processo de Arbitragem que teve início a 13 de Janeiro de 2014 e que decorreu de acordo com as regras do Centro de Arbitragem Comercial Internacional(regras ICC) com sede em Paris, na França.
O Tribunal foi constituído no dia 26 de Junho de 2014 e, “as partes decidiram resolver todas as suas disputas através de um Acordo de Resolução Amigável, o qual estabelecia a retirada dos procedimentos de Arbitragem no Tribunal, desde que o Governo moçambicano aceitasse pagar a SALCEF o valor global de 6.500.000 dólares norte-americanos”, indica o Relatório do Tribunal Administrativo sobre a Conta Geral do Estado(CGE) de 2015.