A DETENÇÃO de Nelson Mandela, em 1962, foi resultado de uma denúncia de um agente da CIA, dos serviços secretos dos Estados Unidos, informou domingo (15) uma reportagem do jornal britânico “Sunday Times”.
As
revelações são baseadas numa entrevista realizada com o ex-agente da
CIA Donald Rickard pouco antes de ele morrer, no início deste ano.
Mandela
cumpriu 27 anos de prisão por combater a minoria branca sul-africana
que governava o país antes de ser solto, em 1990, e quatro anos depois
se tornaria no primeiro Presidente negro da África do Sul.
A
entrevista sugere que as suspeitas de que Mandela estava a ser
monitorado pela CIA são verdadeiras, disse Karen Allen, correspondente
da BBC em Joanesburgo.
As
revelações devem aumentar a pressão para que a Agência de
“inteligência” norte-americana divulgue documentos sobre o seu
envolvimento na prisão de Mandela e o seu apoio ao Governo do
“apartheid”.
Rickard,
que morreu no início deste ano, nunca foi formalmente associado à CIA,
mas trabalhou como diplomata na África do Sul antes de se aposentar no
final da década de 70.
A
entrevista foi realizada pelo director britânico John Irvin, que fez um
filme sobre a curta actuação de Mandela como guerrilheiro, disse o
“Sunday Times”.
Nelson
Mandela liderou o então movimento de resistência Congresso Nacional
Africano (ANC), ilegalizado na época, e era um dos homens mais
procurados da África do Sul quando foi preso.
Considerado
um “comunista perigoso” e uma “ameaça ao Ocidente”, apesar de sempre
ter negado ser membro do Partido Comunista, Mandela, Presidente da
África do Sul de 1994 a 1999, permaneceu na lista de terroristas dos EUA
até 2008.
Durante
esse tempo, ele e outros líderes do ANC só puderam visitar os EUA com
uma permissão especial concedida pela Secretaria de Estado
norte-americana, uma vez que o partido está na lista de organizações
terroristas.
Para
os dirigentes do ANC, a revelação não é propriamente uma novidade, uma
vez que sempre desconfiaram do envolvimento da CIA na captura do seu
líder e da colaboração entre o Ocidente e o regime do “apartheid”. - BBC


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