O NÚMERO de pessoas afectadas e a natureza de trabalhos a serem realizados no âmbito do projecto de construção da linha-férrea Moatize/Macuse, nas províncias de Tete e Zambézia, respectivamente, só serão confirmados após divulgação, dentro de dias, do relatório do estudo do impacto ambiental do empreendimento.
Segundo Abdul Carimo Issa, membro do Conselho de Administração da Thai Moçambique Logística (TML), entidade implementadora do empreendimento, na verdade já há alguma ideia dos encargos sociais que o projecto poderá trazer, mas considera recomendável alguma prudência, considerando a envergadura da iniciativa.
No entanto, segundo disse, todas as dúvidas serão dissipadas dentro de dias quando a empresa de consultoria ambiental Impacto apresentar publicamente os resultados do trabalho que vem realizando nos últimos dois anos.
“O traçado da linha projectada atravessa o rio Chire e passa por uma das zonas mais complicadas do ponto de vista de vulnerabilidade às cheias. Foi preciso fazer exames que consumiram quase dois anos de preparação, para além de estudos de impacto ambiental”, explica Carimo.
Segundo a fonte, os proponentes da iniciativa já investiram cerca de 60 milhões de dólares norte-americanos em trabalhos de levantamento topográfico, batemetria, geotecnia, estudos geofísicos, entre outros.
Há, no entanto, a consciência de que um número determinado de pessoas que actualmente vivem ou que realizam actividades ao longo do traçado proposto para a ferrovia terão de ser movimentadas e reassentadas noutros locais, o que certamente vai justificar novos desembolsos financeiros para viabilizar a operação.
Considerada estratégica não só para o escoamento do carvão como também para a viabilização de muitos projectos previstos na região do vale do Zambeze, a linha Tete/Macuse e o Porto de Macuse poderão absorver cerca de 3,5 biliões de dólares norte-americanos.
Abdul Carimo considera que o Porto de Macuse tem todas as condições para servir também o hinterland, o que representa um acréscimo à sua viabilidade.
O projecto de Macuse é detido em cerca de 60 por cento pela Italian Thai Developement Company Limited, da Tailândia, 20 por cento pela Caminhos de Ferro de Moçambique, EP, e os restantes 20 por cento pelo CODIZA (Corredor de Desenvolvimento Integrado do Zambeze).